As condutas fúnebres no actual contexto do espaço urbano: Caso da cidade da praia.

25/11/2013

Doutor ARLINDO MENDES, Antropólogo
 
data:  25/11/2013, a partir das 16h30

Sala 115 do Campus do Palmarejo.

A conferência será proferida pelo Doutor ARLINDO MENDES, Antropólogo, Professor Auxiliar da UniCV e Presidente do Conselho Directivo do DCSH.  A conferência será subordinada ao título as condutas fúnebres no actual contexto do espaço urbano: Caso da cidade da praia.

>> RESUMO DA CONFERÊNCIA

Pretende-se, com esta comunicação, sublinhar o alcance simbólico de que se revestem as condutas rituais, no espaço urbano, mais concretamente na Praia, em transformação rápida. Existem certas práticas rituais tradicionais trazidas do campo, como consequência do êxodo rural, que apresentam algumas dificuldades em adaptar-se, devidamente, no actual contexto e exigência do espaço urbano, sem sacrificar a sua essência. Parece visível o embaraço progressivo na tradicional preparação das refeições da morte, pilando o milho no prédio, imolando os animais, a moda de outros tempos. A morada, em apartamentos, não permite aos enlutados acenar, encenar e chorar, descontroladamente, os seus mortos sob pena de perturbar os vizinhos que precisam de sossego. A estratégia solidariedade social, principalmente na cidade da Praia, não tem a mesma visibilidade e eficácia que tem no meio rural, uma vez que no espaço urbano o padrão é “cada um por si deus por todos”, transmitindo a imagem de que se está no não-lugar de que tanto (e bem) alude Marc Augé. A excessiva exteriorização de sentimentos, no espaço urbano, é cada vez mais conotada com o deficit de civilidade. As missas do sétimo dia, da Praia, vêm ganhando cada vez mais a importância no actual quadro do ritual fúnebre. Com o constante crescimento urbano o encontro num funeral está a converter-se cada vez mais num espaço de convício e uma ocasião, particular, de sociabilidade. A competição pelo acesso rápido à via pública entre os motoristas/taxistas apressados e o cortejo fúnebre é uma realidade incontestável no espaço praiense que requer medidas adequadas da parte das autoridades municipais. No actual contexto urbano, os rituais da morte e os sentimentos perante o morto e a própria vida, estão a tornar-se cada vez mais triviais e menos metafóricos.

>> RESUMO BIOGRÁFICO

ARLINDO MENDES, doutor em Antropologia/Etnologia, pela Universidade Pau et Pays de l’Adour (França), Professor Auxiliar na Uni-CV; Coordenador do Projecto Investigação PIC-Bélgica (Uni-CV); Coordenador do Grupo Nacional do Trabalho do Projecto de Investigação sobre “Medicina Alternativa em Cabo Verde”; financiado pela Codesria; ex-Presidente do Conselho Pedagógico da Uni-CV; ex-Coordenador dos Cursos de Pós-graduação junto do DCSH de Uni-CV. Autor das obras: “Rituels Funéraires à Santiago aux îles du Cap-Vert” e “A morte em santiago: Uma abordagem etnográfica” e de vários artigos sobre a morte. .

Palavras-chave: Rituais funerários, práticas, espaço público e contexto urbano, centros urbanos, Praia, plateau.

>> local: Sala 115 do Campus do Palmarejo da UniCV

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